AIA - Arquivo de Identidade Angolano (2017)

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Fala aí: Peaceful Nation

August 28, 2017

 

 

O FALA AÍ desta semana dá voz a Peaceful Nation. Falamos sobre os objectivos, o que esperar e outras dicas importantes . Ouve esa voz , conhece e fica atent@!

 

 

AIA: Olá! Como te chamas e para que organização trabalha?

 

PP: Eu meu nome é Paulo Pascoal e sou o fundador e director criativo da Peaceful Nation

 

Site da (www.peacefulnation.eu)

 

AIA: Qual o vosso objectivo e como tem sido esse activismo?

 

 

 PP: A Peaceful Nation é uma plataforma internacional focada no resgate, capacitação e promoção do talento LGBTI africano na diáspora. Assentamos a nossa missão ao servir como agregadores de forças e criadores de sinergias entre projetos artísticos cujo ADN contenham os ideias de inclusão, igualdade e diversidade.

 

Por isso, estamos prontos para acolher e trabalhar com todos os que acreditam na mudança e no potencial que advém das criações, das artes plásticas e cênicas, oriundas do berço da humanidade.

 

AIA: Sabemos que não é um trabalho fácil. Podes contar um pouco dos problemas  que têm encontrado ao longo do vosso trabalho?

 

PP: A ideia surgiu exactamente para poder aliviar algumas problemáticas e contingências em relação a falta de exposição da arte feita por criadores da comunidade LGBTI. Colaboramos com artísticas africanos que se sentem condicionados pelo receio de se assumirem gays ou que acham que a sua orientação sexual boicotaria o limite dos seus horizontes.

 

Publicamos os seus trabalhos e apresentamo-los a outros artistas, acabando assim por os encorajar, dando-lhes voz e um espaço para se inspirarem e continuarem a desenvolverem-se como seres com direitos igualitários a qualquer outro artista. Não é um trabalho fácil, tendo em conta a crise social à que atravessamos em que se dá mais valor a hierarquias sócio-económicas do que culturais, mas sem dúvida que estamos num bom caminho. Temos tido ótimos resultados, tanto à nível do “scouting” de talento, como no sucesso académico e comercial dos mesmos.

 

AIA: Ok! Falaste de espaço e voz de artistas LGBTI. Afinal, porque é importante falar e defender a causa LGBTI?

 

PP: É importante que seja um lugar comum a todos e de uma vez por todas que um talento LGBTI não é menos capaz que outro talento normativo. Que nem sequer deveria haver esse tipo comparação. Que quem escolhemos amar não nos impeça de alcançarmos os nossos sonhos. Que é imperativamente necessário deixarmos de ter medo de sermos quem somos por sermos julgados aos olhos de uma sociedade preconceituosa que nos obriga a refundir-nos num caos depressivo, numa espiral de inseguranças cuja consequência é recorrentemente fatalista. É importante termos referências, crescermos com elas, sabermos que não estamos sozinhos. E, para isso acontecer é obrigatório darmos a cara. Apenas isso basta.

 

AIA: Que dica podemos passar caso alguém queria fazer parte da organização? Como pode fazer?

 

 

PP: Não temos qualquer tipo de regra de adesão. Estamos abertos a todos que queiram colaborar connosco, como e com o que quiserem. Não somos uma plataforma segregadora, somos uma nação agregadora. Basta mandarem-nos um email através do nosso site, ou uma mensagem na nossa pagina do facebook. (www.facebook.com/peacefulnationafrica)

 

AIA: Alguma última observação sobre o contexto LGBTI angolano?

 

 

PP: Angola está realmente a manifestar-se muito mais tolerante, essa tolerância surge como consequência directa do acesso à informação. Hoje em dia, com os “social media” se algo nos choca ao mesmo tempo nos informa com uma rapidez jamais vista antes. E também, existem alguns fenômenos sociais como a Titica, a Imanni da Silva, mais recentemente a transição da Hady Lima e o sucesso das populares Yuca Pimenta, Mãe do Zongue e da Diva Ariel.

 

A audácia, a coragem e o sucesso delas são realmente inspiradores. Dão-nos liberdade. A nosso ver, o movimento transgênero sofreu um desenvolvimento galopante, muito mais forte que o gay. Contudo, sendo o angolano um povo que gosta de seguir tendências, eu espero que as pessoas consigam distinguir a transexualidade da homosexualidade, são situações diferentes, gêneros diferentes. Este ano foram considerados 31 tipos de gênero, o artigo foi publicado na página da Peaceful Nation. Uma coisa é sentirmos atracção pelo mesmo sexo, outra coisa é sabermos que nascemos com a forma errada, ou que não nos identificamos com o nosso género biológico. Onde queremos chegar é que não podemos sequer achar que para se ser gay bem sucedido temos de sofrer uma transição de género. Daí também haver necessidade de termos mais apoio psico-terapêutico para que os mais jovens não se confundam e saibam que decisões tomar ou qual é o seu tipo de género, que pode ser, por exemplo: um duplo-espírito, ou non-binário (não binário).

 

 

 

 

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