AIA - Arquivo de Identidade Angolano (2017)

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GAYVOLUCIONÁRIO

October 24, 2017

Pago com a vida o preço da minha liberdade. 

 

Nunca fui senhor de mim mesmo até perceber a importância da minha revolução interna, todo o meu posicionamento é um acto político e hoje em dia, antes de me pronunciar, a minha presença fala por mim.

 

Ser livre é ter a capacidade de ser original num mundo hipócrita e numa sociedade inculta. Nunca fui adepto do vitimismo, sempre gostei de estar na linha da frente porque acredito ser esse o meu propósito no mundo: encarar os problemas com firmeza e rebeldia, buscando inspirar pessoas a se libertarem das hediondas correntes do ideal alheio.

 

Para quem cresce sendo o endemoniado na igreja, o panina na sociedade, a decepção da família e a razão de chacota nos diversos meios e grupos de interacção diária, não restam grandes alternativas senão abraçar a margem. Assim sendo, eu sou um marginal pela ousadia de amar sem restrições, nunca me curvarei a falsos moralismos, nunca beijarei o chão. SOU DONO DE MIM MESMO! Sou capaz porque acredito no respeito, no amor e na lealdade como pilares para a edificação de relações justas e coesas.

 

Vivemos numa sociedade que pune a diversidade da forma mais cruel: com a indiferença e a discriminação. Absorvendo e proliferando discursos de ódio gratuito pelo preocupante conforto de se viver ignorante.  Certamente buscar conhecimento para essas pessoas deve ser mais trabalhoso relativamente à falsa facilidade que encontram ao propagar o preconceito pelo vazio que se lhes vai ao cérebro.

 

Assim, busco ser um arsenal de resiliência numa realidade político-social onde homicídios e suicídios já são uma triste realidade, embora, de modo inquietante, tal deplorável não seja alvo de estudos e estatísticas, nem tão pouco de adoptar formas de cortar o malefício.

 

Todos os dias quando acordo penso no reflexo dos meus actos. É como se carregasse em mim o grito de uma comunidade aflita e desesperada pela defesa dos seus interesses. Desse modo, visto a capa da militância com sentido de dever de honra, ainda que, colocando em “crise” as minhas relações familiares, profissionais, de amizade e tantas outras a nível social.

 

A verdade é que, sou ousado de mais para ser “só mais um”, pago caro por não me curvar a um sistema que agride e fere sem medir, mas aceito o Karma e sigo em frente.

 

Ninguém te pode dizer o que é ou não melhor para a tua felicidade, não deixes que as expectativas que as pessoas colocam por cima de ti tirem o brilho dos teus olhos.  SEGUE EM FRENTE E ERGUE A CABEÇA!

 

Nunca nos foi dito que o caminho seria fácil, mas até as melhores rosas têm os seus espinhos. AMA-TE!, porque tu és uma bela criatura exactamente por seres diferente, por seres únic@. Respeita-te e não sejas tão cruel contigo, pois, tudo tem o seu tempo e a vida nada mais é do que um eterno aprendizado vem lutar por dias melhores e seja tu também um GAYVOLUCIONÁRIO.

 

Ser GAYVOLUCIONÁRIO: é fazer o bem, é ter empatia, disseminar amor; é construir pontes de diálogo e derrubar muros criados pela ignorância e pela falta de amor; é ousar ter opinião num universo de açaimes e de “ordens superiores”; é ter amor próprio o suficiente para aceitar e respeitar o próximo; é ter alteridade, base de luta cortez com sentido de probidade e lisura; é contrariar com candura e numa sociedade doente ser a cura.

 

Vem lutar por dias melhores e seja tu também um GAYVOLUCIONÁRIO!

 

 

Sobre a imagem: Projecto "Identidade, somos" feito pela AIA e fotografado por Djelsa Ariana do Sister's Project

 

 

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